Serpentes

O que é uma serpente?

As serpentes são répteis pertencentes à ordem Squamata, caracterizados por um corpo ápode (sem membros) e alongado, revestido por escamas epidérmicas. Uma de suas adaptações mais notáveis é a cinésia craniana, isto é, uma elevada mobilidade dos ossos do crânio e da mandíbula, que lhes confere a capacidade de ingerir presas de grande porte.

Em termos sensoriais, estes animais apresentam especializações sofisticadas. Utilizam uma língua bífida protrátil para captar partículas químicas do ambiente, que são processadas pelo órgão vomeronasal (ou de Jacobson), um sistema quimiorreceptor fundamental para a detecção de presas e coespecíficos. Adicionalmente, certos grupos, como Viperidae e Boidae, possuem fossetas loreais, órgãos termorreceptores que lhes permitem detectar radiação infravermelha.

As serpentes desempenham um papel crucial como reguladoras de populações em diversas cadeias tróficas, atuando no controle de pragas como roedores, anfíbios e outros vertebrados. Ademais, a peçonha ofídica é reconhecida por seu vasto potencial farmacológico, sendo um recurso valioso no desenvolvimento de fármacos.

E as Serpentes Peçonhentas?

O Brasil possui uma fauna de serpentes composta por cerca de 265 espécies, classificadas dentro de 73 gêneros em 9 famílias, dentre as quais apenas duas famílias (Elapidae e Viperidae) apresentam espécies peçonhentas.

Qual a diferença entre peçonhento e venenoso?

As serpentes que são peçonhentas possuem glândulas especializadas e possuem aparelhos apropriados para inoculá-las. Por outro lado, um organismo venenoso produz substâncias tóxicas, mas não possui um mecanismo para injetá-las. O envenenamento ocorre de forma passiva, geralmente quando a vítima toca, consome ou entra em contato com o organismo. (MELGAREJO, 2003, in: CARDOSO et al., 2003).

Característica

Peçonhento

Venenoso

Aparelho Inoculador

Presente

(dentes, ferrões, etc.)

Ausente

Mecanismo de Ação

Ativo

(injeção de peçonha)

Passivo (contato ou ingestão)

Por que algumas serpentes são peçonhentas e outras não?

Uma serpente ser peçonhenta está diretamente ligada à sua anatomia, especificamente à evolução de uma dentição especializada que funciona como um aparelho para inocular veneno. Enquanto algumas serpentes possuem dentes simples para agarrar presas, outras desenvolveram verdadeiras “agulhas” para injetar toxinas.

Essa diferença na dentição é classificada em quatro tipos principais, que definem o potencial de perigo de cada serpente:

Tipo de Dentição

Descrição

Capacidade de Inocular Peçonha

Exemplos

Áglifa

Não possui presas especializadas; os dentes são maciços e uniformes.

São consideradas não peçonhentas.

Jiboia, Sucuri, Caninana.

Opistóglifa

Presas sulcadas localizadas na região posterior da boca.

São consideradas não peçonhentas.

Cobra-cipó, Falsa-coral.

Proteróglifa

Presas fixas, pequenas e sulcadas na parte anterior da boca.

São consideradas peçonhentas.

Coral-verdadeira, Mamba, Naja.

Solenóglifa

Grandes presas ocas e móveis na parte anterior da boca, que se projetam no momento do bote.

São consideradas peçonhentas. (É o sistema mais especializado de injeção)

Jararaca, Cascavel, Surucucu.

É importante ressaltar que todo o aparelho peçonhento destes animais é utilizado para sua alimentação na captura e pré-digestão da sua presa.

No Distrito Federal, possuem apenas 9 espécies peçonhentas! Sendo elas:

Elapidae 

Micrurus carvalhoi 

Micrurus frontalis 

Viperidae 

Bothrops itapetiningae 

Bothrops lutzi 

Bothrops marmoratus 

Bothrops moojeni 

Bothrops neuwiedi 

Bothrops pauloensis   

Crotalus durissus

Confira todas as famílias de serpente do nosso quadradinho!

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